Segurança
O avanço da IA Generativa e como se prevenir de golpes digitais
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Durante os últimos anos, principalmente devido aos grandes modelos de linguagem, os famosos LLMs, a Inteligência Artificial Generativa se tornou um dos assuntos mais discutidos e polêmicos. A verdade é que a Inteligência Artificial (IA) existe há décadas, ditando diversas coisas, como as recomendações que você recebe ao entrar em uma plataforma de streaming, o reconhecimento, tanto facial quanto biométrico, que você utiliza ao desbloquear o seu celular, entre outros casos.
Porém, com o aumento da IA generativa, focada em criar conteúdos, como textos, imagens, áudios, vídeos ou códigos, a partir do comando de um usuário e de grandes volumes de dados que lhe foram fornecidos, pessoas mal-intencionadas passaram a utilizar essa ferramenta como forma de aplicar golpes digitais, seja para roubar dinheiro, dados sensíveis ou apenas para espalhar desinformação. Recentemente, o número de casos de golpes envolvendo IA generativa aumentou exponencialmente. Nesse cenário, a maioria das pessoas encontra de três a quatro vídeos alterados por inteligência artificial por dia, e parte desse conteúdo manipulado contribui para um prejuízo de R$ 6,5 bilhões, apenas em 2025, devido a golpes via Pix.
Ao longo deste artigo, serão apresentadas as principais formas pelas quais essas tecnologias estão sendo ou poderão ser utilizadas para enganar usuários, bem como medidas de prevenção para evitar que pessoas se tornem vítimas de golpes digitais. A discussão desse tema é relevante porque até mesmo quem trabalha com tecnologia tem algum amigo ou parente que não possui familiaridade com conteúdos gerados por inteligência artificial, o que pode aumentar sua exposição a fraudes e campanhas de desinformação.
Como a IA Generativa é usada em golpes?
A Inteligência Artificial pode ser usada de diversas formas para enganar pessoas, como por exemplo:
Textos de phishing: a IA auxilia a gerar um texto personalizado e com um contexto que carregue credibilidade, o que torna o phishing, tipo clássico de ataque que usa iscas em forma de e-mails ou mensagens para extrair algum tipo de informação, muito mais difícil de se identificar.
Imagens falsas: as imagens geradas por inteligência artificial, especialmente as feitas por modelos mais avançados e direcionados para isso, são capazes de se tornar extremamente convincentes. Com um pouco de edição de imagem, um golpista pode transformar uma imagem gerada por IA em uma forma de comprovar a “legitimidade” de um golpe.
Vídeos deepfake: o termo “deepfake” se refere à geração de conteúdo falso que simula pessoas e situações que nunca ocorreram. Os vídeos que usam essa técnica podem sobrepor a imagem de pessoas reais, como uma figura de autoridade ou alguém próximo da vítima, em vídeos feitos por golpistas, geralmente com o intuito de roubar dinheiro.
Vozes clonadas: ferramentas de clonagem de voz por IA se tornaram extremamente avançadas, capazes de replicar o modo de fala de alguém com até 95% de precisão, precisando de apenas 10 segundos de um áudio para replicar uma voz. Ao usar a voz de uma pessoa próxima da vítima, o golpista consegue manipulá-la para extorquir altas quantidades de dinheiro ou de informações sensíveis.
Porém, vale ressaltar que essa tecnologia é, acima de tudo, uma das diversas ferramentas que um golpista pode usar, ou seja, um criminoso que realmente pode causar risco a alguém raramente usará apenas a IA para manipular uma pessoa. Ele utilizará técnicas de manipulação, como a engenharia social, para causar urgência e medo, justamente para que a vítima não consiga pensar com clareza sobre o que está acontecendo. Ele também poderá usar a promessa de alguma vantagem, como um prêmio ou desconto imperdível e improvável, para induzir a vítima a clicar em algo que a prejudicará. A IA ajuda a trazer credibilidade, mas o principal elemento que representa o perigo é a manipulação, que faz com que a pessoa aja antes de pensar.
Mas, afinal, como se proteger?
Existem diversas formas de se prevenir contra golpes, e quase todas envolvem pensamento crítico e calma perante a pressão do golpista.
Recebeu um e-mail?
1. Verifique o endereço de e-mail (observe se o endereço bate com o que a empresa tende a colocar nas informações de contato).
2. Verifique o domínio do e-mail (um golpista poderia, por exemplo, utilizar um domínio @CWl.com, com L minúsculo em vez de I maiúsculo, para imitar o domínio @CWI.com).
3. Observe se há alguma solicitação de dados que não faz sentido, pois empresas sérias evitam pedir por e-mail que você confirme dados sensíveis, como senhas, códigos de verificação, dados pessoais, etc.
4. Tenha cuidado caso o e-mail tenha urgência excessiva (algo como “confirme em 24 horas ou sua conta será bloqueada”).
Recebeu mensagem de alguém próximo?
1. Veja se as mensagens buscam gerar urgência, pressionando para que você aja rapidamente.
2. Se a pessoa diz ter trocado de número, contate o número antigo.
3. Combine uma senha com seus parentes ou amigos próximos, uma palavra ou frase que possa indicar que estão falando com a pessoa real e que deixaria alguém que não sabe o contexto confuso.
4. Observe se a pessoa tenta criar um motivo emocional para justificar a transferência de dinheiro (“preciso pagar um boleto para não perder a passagem que já comprei”).
5. Veja o tom da conversa e evite ao máximo mandar dinheiro para alguém sem vê-la pessoalmente.
Recebeu uma oferta de uma conta “oficial”?
1. Verifique se o número de seguidores, de publicações e de perfis seguidos é muito modesto para uma empresa que ofereceria tal oferta.
2. Observe se a conta possui um selo de verificação, pois perfis de marca conhecida costumam ter verificação oficial.
3. Observe a oferta em si: um preço muito abaixo do normal, um prazo de tempo muito curto para agir, uma obrigatoriedade de usar Pix para o pagamento, um link que não aparenta ser oficial… tudo isso é forte sinal de golpe.
Além disso, se possível, lembre-se de proteger suas senhas, evitar reutilizá-las frequentemente, trocar as mais fracas e ativar a verificação em duas etapas nos aplicativos mais importantes. E, acima de tudo, se continuar em dúvida, converse com alguém em quem confia, pois muitas vezes uma outra opinião pode esclarecer muito e prevenir grandes riscos.
E agora?
Vimos que os golpes digitais estão cada vez mais presentes, e as ferramentas dos golpistas se tornam cada vez mais avançadas e convincentes. Portanto, a informação se torna uma defesa crucial para se proteger contra armadilhas. Alertar o próximo sobre os perigos atuais, estabelecer códigos e questionar a veracidade de propostas e conversas: tudo isso é essencial para manter aqueles ao seu redor mais seguros ao navegarem pela internet. A partir disso, poderemos estabelecer uma rede de confiança que tornará o trabalho dos golpistas muito mais difícil.
Referências
BLOG BB. Golpes com IA: como a tecnologia tem sido usada para enganar e como se proteger. [S. l.], [ano de publicação ou n.d.]. Disponível em: <URL>. Acesso em: 17 jun. 2026.
CLAVIS. Golpes com IA Generativa: novas táticas de phishing e fraude. [S. l.], [ano de publicação ou n.d.]. Disponível em: <URL>. Acesso em: 17 jun. 2026.
MCAFEE. Beware the Artificial Imposter. [S. l.], 2023. Disponível em: <URL>. Acesso em: 17 jun. 2026.
MCAFEE. Como identificar uma mensagem de golpe gerada por IA. [S. l.], [ano de publicação ou n.d.]. Disponível em: <URL>. Acesso em: 17 jun. 2026.